Eita estradas compridas
Eita estradas danadas
São as estradas da vida
Que tão seca e tão molhada.
Tem estrada bem velhinha
Que ta toda esburacada
Tem umas inté construindo
Pra ficar bem acabada
Que é pru povo ir dirigindo
E atropelando a boiada.
É um povo inconseqüente
Que constrói essas estradas
Que manda o povo simbora
Pra morar outras moradas.
Quando a seca ta danada
O povo do meu sertão
Sai com uma pressa do cão
E vai direto pras estradas
na mais certa contra mão
numa ilusão de sudeste
ô estrada ruim da peste!
ô estradas desgraçadas !
segunda-feira, setembro 18, 2006
Egg
Sossegue
Entregue
pegue
Se segue
Não negue
nem apague
Pegue
sem que estrague
Não pague
Não Empregue
Não Esmague
Não Delegue
Não cague
ou até cague...
Mas regue
De forma que afague.
Se cegue
Carregue
da Cruz que se ergue
Não cegue
esfregue as janelas
sem que as tranque
sem que as pregue
Sem que segregue
E Se apague...
Que se apegue
sem que se apegue.
Recife, janeiro de 2005.
Sossegue
Entregue
pegue
Se segue
Não negue
nem apague
Pegue
sem que estrague
Não pague
Não Empregue
Não Esmague
Não Delegue
Não cague
ou até cague...
Mas regue
De forma que afague.
Se cegue
Carregue
da Cruz que se ergue
Não cegue
esfregue as janelas
sem que as tranque
sem que as pregue
Sem que segregue
E Se apague...
Que se apegue
sem que se apegue.
Recife, janeiro de 2005.
Cri-cri
Dorme Grilo, dorme... dorme
Que a cantiga dos grilos dá nem pra escutar
E a garagem lotada nem sabe dançar
Dorme hoje, cerveja custa dinheiro...
O sonho não
Mas pode custar pesadelo...
-eu num deixo não-
Sono custoso e pesado
Pode até abrir os olhos... Esse sono embriagado.
Que nem sei se vai distinguir
Dorme grilo, dorme...
Que a cantiga dos grilos dá nem pa ouvir.
Recife, 10 de julho de 2005.
Dorme Grilo, dorme... dorme
Que a cantiga dos grilos dá nem pra escutar
E a garagem lotada nem sabe dançar
Dorme hoje, cerveja custa dinheiro...
O sonho não
Mas pode custar pesadelo...
-eu num deixo não-
Sono custoso e pesado
Pode até abrir os olhos... Esse sono embriagado.
Que nem sei se vai distinguir
Dorme grilo, dorme...
Que a cantiga dos grilos dá nem pa ouvir.
Recife, 10 de julho de 2005.
poemal

Manso olho do mal,
atraente doce
Afiada língua do mal,
umidade quente
Sutilezas dedos do mal,
que faz mal a(os) poucos
Meio rouca voz do mal,
a cantar, e louco
Penitências corpo do mal,
se fazendo vinha
bafo, abafo, mocho, informal...
mal adivinha.
mal na espinha dorsal
Nas pontas dos dedos, Do-ín
Pergunto ao mal se ele é ruim
E o próprio responde; sim!
Erguendo a face um sorriso próprio
Em torno
tudo impróprio.
Pergunto ao mal se mal tem
E o tal
(tão tao)
não responde;
vem .
as coisas não são em total exatas...

As coisas não são em total exatas...
Me matas! Então saberei Se o rei esta lá
em trono de mármore espírito de luz
tem cabelos longos e olhos azuis
ou então me conduz para o outro lugar
de chamas e trevas vermelhas de dor
então eu verei, se lá o seu líder é um capataz
com rabos e chifres de bois nos curais
(Recife-21, jan. 2002)
Me matas! Então saberei Se o rei esta lá
em trono de mármore espírito de luz
tem cabelos longos e olhos azuis
ou então me conduz para o outro lugar
de chamas e trevas vermelhas de dor
então eu verei, se lá o seu líder é um capataz
com rabos e chifres de bois nos curais
(Recife-21, jan. 2002)
Caixote de madeira
Bem na cabeceira dos meus sonhos
Guardado á léguas de banhos
Meus sonhos empoeirados...
Meus livros empoeirados...
De cegos sentimentos raros.
Caixote de madeira
Servindo de tamborete
Não tem o prestigio das redes
Nem o conforto das camas
Feito de prego e madeira
Feito de suor e mãos
Caixote de madeira
Parece que estais ali
Cada pedaço do mundo
Sem precisar os segundos
A cada acento do dia.
Recife , maio - 2003
Bem na cabeceira dos meus sonhos
Guardado á léguas de banhos
Meus sonhos empoeirados...
Meus livros empoeirados...
De cegos sentimentos raros.
Caixote de madeira
Servindo de tamborete
Não tem o prestigio das redes
Nem o conforto das camas
Feito de prego e madeira
Feito de suor e mãos
Caixote de madeira
Parece que estais ali
Cada pedaço do mundo
Sem precisar os segundos
A cada acento do dia.
Recife , maio - 2003
‘‘007, O amanhã nunca morre’’... Nasce?
Mas se ontem a rua estava cheia de gente
A fumaça arrudiou os olhares
Se ontem a rua estava cheia de carros
As pessoas da rua não tinham pés de meia
E se ontem a rua estava como hoje, com tantos mendigos,
Todos só viam suas bolsas e relógios.
E se antes os relógios serviam pra dar as horas,
Depois do roubo dão o prato de feijão
Feijão dá força ao povo,...
Mas se ontem foi nas horas que ‘‘passaram a mão’’
Não vamos andar a pé
Pois os segundos seguidos são livres e ligeiros.
Não temos passagem de ônibus
Mas já a temos na policia ...
Vamos arrombar carros, que são livres e ligeiros
Talvez um dia se chegue no amanhã.
(Recife-18/11/2002)
Mas se ontem a rua estava cheia de gente
A fumaça arrudiou os olhares
Se ontem a rua estava cheia de carros
As pessoas da rua não tinham pés de meia
E se ontem a rua estava como hoje, com tantos mendigos,
Todos só viam suas bolsas e relógios.
E se antes os relógios serviam pra dar as horas,
Depois do roubo dão o prato de feijão
Feijão dá força ao povo,...
Mas se ontem foi nas horas que ‘‘passaram a mão’’
Não vamos andar a pé
Pois os segundos seguidos são livres e ligeiros.
Não temos passagem de ônibus
Mas já a temos na policia ...
Vamos arrombar carros, que são livres e ligeiros
Talvez um dia se chegue no amanhã.
(Recife-18/11/2002)
uma dança dramática.

Foi não ter a alma
Pra subir aos céus
Foi não crer no céu
E crescer sem mar
Foi não ter a língua
Pra cantar o grito
Foi não ter razões
Para poder chorar
Foi transpor as preces
Foi me arrepender
Foi ranger os dentes
Foi o não comer
E somente parar de cantar
Já foi um grande sintoma
Não foi a pior doença
Mas foi a mais dolorosa
Não ter amado a saudade
Comer sem cheirar a rosa
(São Paulo, 13 de janeiro-2003)
Pra subir aos céus
Foi não crer no céu
E crescer sem mar
Foi não ter a língua
Pra cantar o grito
Foi não ter razões
Para poder chorar
Foi transpor as preces
Foi me arrepender
Foi ranger os dentes
Foi o não comer
E somente parar de cantar
Já foi um grande sintoma
Não foi a pior doença
Mas foi a mais dolorosa
Não ter amado a saudade
Comer sem cheirar a rosa
(São Paulo, 13 de janeiro-2003)
juninazinha
ESTRELAS...
Na janela, um horizonte
No horizonte, um verde
Um amarelo, um azul
E não era a bandeira não
Na janela, um horizonte
No horizonte, um verde
Um amarelo, um azul
E não era a bandeira não
Nem a camisa da seleção!...
Era o sertão;
cheio de vida
sem seca, sem dores
muita pamonha, canjica
milho “a bambão”
muita fogueira e muito coração
batendo feito zabumba
e um céu entupido de estrelas
Enfeitava a noite já espremida d’água.
Nós na fogueira
Brincando de fazer estrela também
Girando, girando... até apagar.
-Corre menino, que a noite é fria
Corre menino, lá vem o dia
Vai “timbora” te agasalhar.
-Pula menino, a fogueira é quente
“Sorta” menino, isso é água ardente
Tu “quéis” beber cana pra te embriagar.
Era o sertão;
cheio de vida
sem seca, sem dores
muita pamonha, canjica
milho “a bambão”
muita fogueira e muito coração
batendo feito zabumba
e um céu entupido de estrelas
Enfeitava a noite já espremida d’água.
Nós na fogueira
Brincando de fazer estrela também
Girando, girando... até apagar.
-Corre menino, que a noite é fria
Corre menino, lá vem o dia
Vai “timbora” te agasalhar.
-Pula menino, a fogueira é quente
“Sorta” menino, isso é água ardente
Tu “quéis” beber cana pra te embriagar.
ô chuva memória
Ô chuva cai de vagar
Pois saudade eu sinto
Da chuva de meu lugar
E quando lembro de lá
Da vontade de voltar.
Porque lá quando chovia
Correndo pru mei da rua
Festejar eu logo ia.
Naquelas chuvas de vento
Sibita doida no tempo
Batendo em cada portão
Pra chamar toda cambada
Beber chuva esparramada
Das janelas do sertão.
Céu bunito pra chover!
Pru meu açude sangrar
Antes que a chuva acabasse
Deus parasse de chorar,
com os labios roxos de frio
Nas bicas bocas de jacaré
Da casa paroquial
Ali do lado da usina
No tempo de eu menina
No dito berço imortal.
(Recife, 2001)
Pois saudade eu sinto
Da chuva de meu lugar
E quando lembro de lá
Da vontade de voltar.
Porque lá quando chovia
Correndo pru mei da rua
Festejar eu logo ia.
Naquelas chuvas de vento
Sibita doida no tempo
Batendo em cada portão
Pra chamar toda cambada
Beber chuva esparramada
Das janelas do sertão.
Céu bunito pra chover!
Pru meu açude sangrar
Antes que a chuva acabasse
Deus parasse de chorar,
com os labios roxos de frio
Nas bicas bocas de jacaré
Da casa paroquial
Ali do lado da usina
No tempo de eu menina
No dito berço imortal.
(Recife, 2001)
segunda-feira, agosto 21, 2006
oração do pau nosso

figura tingida de três
taguara tapuia tupinambá
togo tunisia tanzânnia
tingidos tirados, trazidos de lá
formiga nova terra nova
nave navega triangular
tratar de tornar vertical
cidade tão cêdo espelhar
quem é esse novo que nasce
pelado melado entre as pernas tão pretas
parece que foi comteplado
quem é essa nova careta
marmelo mangaba muringa
marisco miçanga e maringá
muriçoca manga moenda
macumba mandinga maracujá
quem é essa peste atrevida
que vem se atrever a ser nós
taguara tapuia tupinambá
togo tunisia tanzânnia
tingidos tirados, trazidos de lá
formiga nova terra nova
nave navega triangular
tratar de tornar vertical
cidade tão cêdo espelhar
quem é esse novo que nasce
pelado melado entre as pernas tão pretas
parece que foi comteplado
quem é essa nova careta
marmelo mangaba muringa
marisco miçanga e maringá
muriçoca manga moenda
macumba mandinga maracujá
quem é essa peste atrevida
que vem se atrever a ser nós
...............................................................................
(poema contruído durante a primeira disciplina que fiz com o prof. renato athias, 2005)
sexta-feira, abril 28, 2006
pr'um sentimento bonito
palha a palha, construiu-se o ninho
o amanhã acordado sem termos durmido
sonhando à manhã o algo vivido
da coisa humana feita de carinho
querer que crescendo não se viu sozinho
e por óleo de semente encontrou-se ungido
que é belo, e não devia querer-se oprimido
e nem trair-se, desviar caminho
que o que acontece assim, tão gracioso
de simples, carrega o grandioso
por ser do bicho, e ser tão natural
que a gente encare de uma forma amena
sem punições e abordando o tema
nessa verdade de SER animal.
o amanhã acordado sem termos durmido
sonhando à manhã o algo vivido
da coisa humana feita de carinho
querer que crescendo não se viu sozinho
e por óleo de semente encontrou-se ungido
que é belo, e não devia querer-se oprimido
e nem trair-se, desviar caminho
que o que acontece assim, tão gracioso
de simples, carrega o grandioso
por ser do bicho, e ser tão natural
que a gente encare de uma forma amena
sem punições e abordando o tema
nessa verdade de SER animal.
terça-feira, janeiro 10, 2006
augusto dias

Seu Augusto, Augusto grande...
Que a poesia não retem-se à gola
Seu Augusto não coube em angola
Seu Augusto, quando olhou pra mim, de gesto sorriu...
E seu sorriso, de grande, não cabe num só Brasil...
Ele, um dia, falando de lugar, e da falta do seu lugar... Corrigiu-se...
- Nem Brasil nem Angola... Seu lugar era o mundo!
Mas penso eu, que o lugar mesmo,
Aquele de saudade, de infância, juventude e mãe; era mesmo a velha Angola... Das poesias publicadas em jornal, semanal, freqüentes...
E da mãe que a todas guardava, com orgulho natural de mãe...
Mãe de memória...
Talvez agora estejam juntos novamente
Talvez estejam juntos agora...
Ou Quem sabe da aurora, ele já ande amanhecendo em outro canto poraí, outro lugar, com outra mãe, outra cultura, reencarnando... Enfim... Não sei
Talvez inda esteja por aqui... Acompanhando...
A filha, a neta, seu amigo Tadeu... talvez
Sem o impedimento do corpo.
Rua da aurora
Foi nessa que o conheci
E já foi amor, o vi pela primeira vez no elevador...
Edifício... Difícil pra nos lidar com esses mistérios, com o que a gente não conhece...
Mas o que acontece, é que seu Augusto amava a vida, o amar, as pessoas...
Fiquei encantada, querendo ouvir, ver escrito...
Olhar no olho as paisagens de África
Sentir o soar dos ecos de Angola
Tudo isso seu Augusto tinha
Citando a mim os nomes dos poetas de sua terra, que ele há de ter tido o prazer em ter conhecido, contemporâneos... De idade, amizade... Amigos seus...
E eu citando os meus, do meu sertão de raiz e saudades, contemporâneos dos meus avós.
Era um poeta de métrica, mas não há métrica que o caiba.
Queria ainda rever seu alem mar
Tinha projetos, alunos, amor, e aqui, já foi além e transcender...
Tu, Seu Augusto Dias, não podias morrer!
Cabia ficar mais... Atravessar o mar.
Por que agora atravessar o véu? Que susto!
Será que o céu haverá de caber seu augusto?
(Recife, 12 de dezembro de 2005).
Que a poesia não retem-se à gola
Seu Augusto não coube em angola
Seu Augusto, quando olhou pra mim, de gesto sorriu...
E seu sorriso, de grande, não cabe num só Brasil...
Ele, um dia, falando de lugar, e da falta do seu lugar... Corrigiu-se...
- Nem Brasil nem Angola... Seu lugar era o mundo!
Mas penso eu, que o lugar mesmo,
Aquele de saudade, de infância, juventude e mãe; era mesmo a velha Angola... Das poesias publicadas em jornal, semanal, freqüentes...
E da mãe que a todas guardava, com orgulho natural de mãe...
Mãe de memória...
Talvez agora estejam juntos novamente
Talvez estejam juntos agora...
Ou Quem sabe da aurora, ele já ande amanhecendo em outro canto poraí, outro lugar, com outra mãe, outra cultura, reencarnando... Enfim... Não sei
Talvez inda esteja por aqui... Acompanhando...
A filha, a neta, seu amigo Tadeu... talvez
Sem o impedimento do corpo.
Rua da aurora
Foi nessa que o conheci
E já foi amor, o vi pela primeira vez no elevador...
Edifício... Difícil pra nos lidar com esses mistérios, com o que a gente não conhece...
Mas o que acontece, é que seu Augusto amava a vida, o amar, as pessoas...
Fiquei encantada, querendo ouvir, ver escrito...
Olhar no olho as paisagens de África
Sentir o soar dos ecos de Angola
Tudo isso seu Augusto tinha
Citando a mim os nomes dos poetas de sua terra, que ele há de ter tido o prazer em ter conhecido, contemporâneos... De idade, amizade... Amigos seus...
E eu citando os meus, do meu sertão de raiz e saudades, contemporâneos dos meus avós.
Era um poeta de métrica, mas não há métrica que o caiba.
Queria ainda rever seu alem mar
Tinha projetos, alunos, amor, e aqui, já foi além e transcender...
Tu, Seu Augusto Dias, não podias morrer!
Cabia ficar mais... Atravessar o mar.
Por que agora atravessar o véu? Que susto!
Será que o céu haverá de caber seu augusto?
(Recife, 12 de dezembro de 2005).
terça-feira, julho 19, 2005
não sei se medo
naquele dia ela acordou cêdo de durmir tarde
sentia algo, não sei se medo
tiraram-lhe oitocentas ou setecentas gotas de sangue
de sua veia sem nome, de seu braço esquerdo.
ela ainda, pra ser educada,
tentou fingir que não houvera nada
e até sorriu por alguns segundos
mas não segurou- se ao segundo seguinte
e tombou no chão sem mais ter requinte
naquele instante, revirou os olhos e tencionou a carne
fugindo aos sentidos. não tinha charme.
setiria algo?
suada... e sem mente, do leve desmaio forte,
levantou-se, a gente, e na sua sorte
havia o proximo, próximo, tronco humano para acolhe-la
e ela de olhos abertos do coração que já se sente
bate em samba enredo...
e depois de tudo, falou calado
tonto de segredo...
sentia algo, não sei se medo
tiraram-lhe oitocentas ou setecentas gotas de sangue
de sua veia sem nome, de seu braço esquerdo.
ela ainda, pra ser educada,
tentou fingir que não houvera nada
e até sorriu por alguns segundos
mas não segurou- se ao segundo seguinte
e tombou no chão sem mais ter requinte
naquele instante, revirou os olhos e tencionou a carne
fugindo aos sentidos. não tinha charme.
setiria algo?
suada... e sem mente, do leve desmaio forte,
levantou-se, a gente, e na sua sorte
havia o proximo, próximo, tronco humano para acolhe-la
e ela de olhos abertos do coração que já se sente
bate em samba enredo...
e depois de tudo, falou calado
tonto de segredo...
poema pra quando caio
pra que se deixe claro
esse poema é egoísta...
e só inporta por assim dizer,
o que nele há de humano e solidário a mim...
e só, pra mim, importa
porque pra mim, agora, São Paulo importa mais...
pois depois que caio, e choro, quando a vista desmbaça...
consigo ver melhor;
no ato cotidiano de olhar o outro
e nesse enxergar salgado ser mais feliz com os gostos doces,
os sabores doces sutís.
e perceber a alegria de comer conjunto doce em demasía.
como ritual.
ter menos culpa e mais calma
assim... depois de passados os momentos de inferioridade
depois da paixão o amor.
pois um dia faz valer... acrescenta um ano.
esse poema é egoísta...
e só inporta por assim dizer,
o que nele há de humano e solidário a mim...
e só, pra mim, importa
porque pra mim, agora, São Paulo importa mais...
pois depois que caio, e choro, quando a vista desmbaça...
consigo ver melhor;
no ato cotidiano de olhar o outro
e nesse enxergar salgado ser mais feliz com os gostos doces,
os sabores doces sutís.
e perceber a alegria de comer conjunto doce em demasía.
como ritual.
ter menos culpa e mais calma
assim... depois de passados os momentos de inferioridade
depois da paixão o amor.
pois um dia faz valer... acrescenta um ano.
agenda
hoje penso diferente de dez dias atrás
hoje tenho dez dias à mais...
já não concordo mais
com aqueles versos que escrevi
mas não os apago, trago a lição
daquela ocasião
e aplico nesta
e se a vida me contesta
mais dez dias penso que virão
não os espero...
os sinto e sobretudo vivo
comendo pão... e rabiscando agenda.
hoje tenho dez dias à mais...
já não concordo mais
com aqueles versos que escrevi
mas não os apago, trago a lição
daquela ocasião
e aplico nesta
e se a vida me contesta
mais dez dias penso que virão
não os espero...
os sinto e sobretudo vivo
comendo pão... e rabiscando agenda.
teu santo nome
eu não vou citar teu nome
pra não te ver vaidosa
pois não pagas minha glosa
e eu não vou morrer de fome
parente de alcapone
és vilã nesse cinema
que não te reste um poema
vai embora, sai de perto
o portão está aberto
não te quero como tema.
pra não te ver vaidosa
pois não pagas minha glosa
e eu não vou morrer de fome
parente de alcapone
és vilã nesse cinema
que não te reste um poema
vai embora, sai de perto
o portão está aberto
não te quero como tema.
FLOEMA
(à minha irmanzinha maria clara ferreira galvão).
a flor da minha vida
é monocotiledônea
cheia de amido seu
cheia de amido seu
tem cheirinho de comida
essa flor que deus me deu
me abraça me faz carinho
e ainda fala baixinho
enchendo os ouvidos meus
a flor que me acorda cedo
adora pão integral
e seu gostinho salgado
é da manteiga de gado
que tem um pouco de sal
minininha flor do meu fado
vem correndo tal qual um rio
flô do bra...zil ... flô do abaca...xi
tua raíz espalhada
é uma sínha de renda
e as palavrinhas erradas
servem pra mim de merenda
minha florzinha do vaso
minha amiguinha meu caso
minha florzinha de cores
qu'inda há de crescer muito
com seus vasos condutores.
essa flor que deus me deu
me abraça me faz carinho
e ainda fala baixinho
enchendo os ouvidos meus
a flor que me acorda cedo
adora pão integral
e seu gostinho salgado
é da manteiga de gado
que tem um pouco de sal
minininha flor do meu fado
vem correndo tal qual um rio
flô do bra...zil ... flô do abaca...xi
tua raíz espalhada
é uma sínha de renda
e as palavrinhas erradas
servem pra mim de merenda
minha florzinha do vaso
minha amiguinha meu caso
minha florzinha de cores
qu'inda há de crescer muito
com seus vasos condutores.
*Anaíra Mahin -São Paulo, 2004
segunda-feira, julho 18, 2005
canto mudo
Teu desprezo repartia o inteiro
Eu em reza pedia teu cheiro
Tu distante me olhava e ria
Eu em tom de te sentir mais perto
Não enxergava teu peito aberto
Louco pensar que inda me atraía.
Mas, alimento essa situação,
Reengolindo o coração da mão
Sendo meu pão essa paixão macia
Que mesmo perto estando distante
Ainda espero que esse samba cante
E mate a coisa que nos distancia.
Amor perdoa a imaturidade,
É que eu sinto tanta da saudade
Que até me calo, fico com vergonha,
E remoendo esse canto mudo
Penso que tu devias ouvir tudo
E se ganhando, mais a gente ganha.
Eu em reza pedia teu cheiro
Tu distante me olhava e ria
Eu em tom de te sentir mais perto
Não enxergava teu peito aberto
Louco pensar que inda me atraía.
Mas, alimento essa situação,
Reengolindo o coração da mão
Sendo meu pão essa paixão macia
Que mesmo perto estando distante
Ainda espero que esse samba cante
E mate a coisa que nos distancia.
Amor perdoa a imaturidade,
É que eu sinto tanta da saudade
Que até me calo, fico com vergonha,
E remoendo esse canto mudo
Penso que tu devias ouvir tudo
E se ganhando, mais a gente ganha.
versos assim
Quero dizer-te mais puro
A minha viva verdade
Que submersa em saudade
Vem sufocada na dor
Talvez se eu soubesse a cor
Dessa dor que gosto dela
Trabalhasse com aquarela
Sem querer ser escritor.
Mas como não sei ao certo
Se vens fechado ou aberto
Eu guardo dentro de mim
Um sentimento incolor
E pensando ser amor
Escrevo versos assim.
A minha viva verdade
Que submersa em saudade
Vem sufocada na dor
Talvez se eu soubesse a cor
Dessa dor que gosto dela
Trabalhasse com aquarela
Sem querer ser escritor.
Mas como não sei ao certo
Se vens fechado ou aberto
Eu guardo dentro de mim
Um sentimento incolor
E pensando ser amor
Escrevo versos assim.
colo
Se olho até sinto o gosto
Das expressões do teu rosto
Quando estou perto de ti
E sinto cada detalhe
De tua alma o entalhe
No mistério que sorri.
Eu sinto que a calma tua
Tal qual a calma da rua
Devem pender no meu colo
Com a poesia brejeira
As cinzas de quarta-feira
Como as raízes do solo.
Das expressões do teu rosto
Quando estou perto de ti
E sinto cada detalhe
De tua alma o entalhe
No mistério que sorri.
Eu sinto que a calma tua
Tal qual a calma da rua
Devem pender no meu colo
Com a poesia brejeira
As cinzas de quarta-feira
Como as raízes do solo.
das coisas
Hoje ainda, antes de um sono inquieto,
Interroguei as nuvens do presente terno
Que externas pareciam entender o interno
Abrindo aos olhos, em alvo céu de teto.
fomos cruzes subindo o despertar da ladeira
Cruzando-se em carinhos; inversões de inverno.
Num céu que anda aos pés do pai eterno
Pena, sem chaves de uma usina de caldeiras.
E saímos, sem cruzamento fixo, na dobra da esquina,
Postos às diferenças restantes, menino-menina.
Nosso andar foi repartido, cada-cada, ruas tortas.
E os botões de cada casa descosendo um a um
Naquele dia que escancarava a larga boca de jejum
E retraia a madrugada, abrindo as portas.
Interroguei as nuvens do presente terno
Que externas pareciam entender o interno
Abrindo aos olhos, em alvo céu de teto.
fomos cruzes subindo o despertar da ladeira
Cruzando-se em carinhos; inversões de inverno.
Num céu que anda aos pés do pai eterno
Pena, sem chaves de uma usina de caldeiras.
E saímos, sem cruzamento fixo, na dobra da esquina,
Postos às diferenças restantes, menino-menina.
Nosso andar foi repartido, cada-cada, ruas tortas.
E os botões de cada casa descosendo um a um
Naquele dia que escancarava a larga boca de jejum
E retraia a madrugada, abrindo as portas.
fábula
Ontem vi dois passarinhos
Bem-te-vi e beija flor
Um cantando, outro beijando
Falando a língua do amor
Um sobrevoava a rosa
O outro na bananeira
Com sua voz mais formosa
Cantava a manhã inteira
Quando o beija-flor ouviu
A cantiga tão suave
Dizendo-lhe: bem-te-vi
Foi voando feito uma nave
Saiu numa pressa tão grande
Mais foi triste o seu caminho
(que do jeito que ele ia)
Seu bico tornou-se flecha
No peito do passarinho
E ao sentir o que fizera
Beija-flor enlouquecido
Na manhã de primavera
Bem-te-vi tinha morrido
E se m ver mais solução
Pra sua tamanha dor
Adeitou-se no seu ninho
E morreu do mal de amor.
Bem-te-vi e beija flor
Um cantando, outro beijando
Falando a língua do amor
Um sobrevoava a rosa
O outro na bananeira
Com sua voz mais formosa
Cantava a manhã inteira
Quando o beija-flor ouviu
A cantiga tão suave
Dizendo-lhe: bem-te-vi
Foi voando feito uma nave
Saiu numa pressa tão grande
Mais foi triste o seu caminho
(que do jeito que ele ia)
Seu bico tornou-se flecha
No peito do passarinho
E ao sentir o que fizera
Beija-flor enlouquecido
Na manhã de primavera
Bem-te-vi tinha morrido
E se m ver mais solução
Pra sua tamanha dor
Adeitou-se no seu ninho
E morreu do mal de amor.
algarobas
Meu amigo onde está teu sangue azul
Santa cruz te ilude a alva pele
O que manchas talvez também te mele
Não me ofenda ofendendo o pajeú
É mais belo dizer: tome no cu
Como um sábio ditado em chinês
Sendo a planta a respiração da tez
Quem destrói não é muito inteligente
Cai um pé de algaroba inocente
Sobre os pés da brutal estupidez.
Essa planta parente de bombril
Pois que tem mil e uma ultilidades
Vem comendo o pão que amassou hades
Alcançou essa terra de estiu
Africana trazida pru brasil
Que agora já fala matutez
Faz lembrar a revolta dos malês
Que ouvi duma negra resistente
Cai um pé de algaroba inocente
Sobre os pés da brutal estupidez.
Cai um pé de algaroba inocente
E eu volto a questão da realeza
Recordando uma história de tristeza
E trazendo a lição para o presente
Uma história passada no oriente
Que falava espanhol cum portuquês
Coroaram já tarde a bela Inês
Mas que hoje se encontrem novas porta
Que não mais caia essa sombra morta
Sob os pés da brutal estupidez.
Nessa terra de angico e baraúna
De juá, barriguda e mulungú
Vem o homem que arranca e deixa nu
Caatinga pra ver se vira duna
Rogo, peço pra são bento do una
Pois são zé abalou-se de repente
Não enxerga um palmo a sua frente
E o dinheiro é que elege novos reis
Sobre os pés da brutal estupidez
Mais um pé de algaroba inocente.
Vem as leis naturais, o tsuname
E as leis imorais, desmatamentos
Enfrentar a força dos elementos
Faz o homem passar muito vexame
Ele próprio cultiva seu desmame
Mata mãe e irmãos, faz suas leis
Não percebe tamanha insensatez
E às vezes até se diz um crente
Cai um pé de algaroba inocente
Sobre os pés da brutal estupidez.
Santa cruz te ilude a alva pele
O que manchas talvez também te mele
Não me ofenda ofendendo o pajeú
É mais belo dizer: tome no cu
Como um sábio ditado em chinês
Sendo a planta a respiração da tez
Quem destrói não é muito inteligente
Cai um pé de algaroba inocente
Sobre os pés da brutal estupidez.
Essa planta parente de bombril
Pois que tem mil e uma ultilidades
Vem comendo o pão que amassou hades
Alcançou essa terra de estiu
Africana trazida pru brasil
Que agora já fala matutez
Faz lembrar a revolta dos malês
Que ouvi duma negra resistente
Cai um pé de algaroba inocente
Sobre os pés da brutal estupidez.
Cai um pé de algaroba inocente
E eu volto a questão da realeza
Recordando uma história de tristeza
E trazendo a lição para o presente
Uma história passada no oriente
Que falava espanhol cum portuquês
Coroaram já tarde a bela Inês
Mas que hoje se encontrem novas porta
Que não mais caia essa sombra morta
Sob os pés da brutal estupidez.
Nessa terra de angico e baraúna
De juá, barriguda e mulungú
Vem o homem que arranca e deixa nu
Caatinga pra ver se vira duna
Rogo, peço pra são bento do una
Pois são zé abalou-se de repente
Não enxerga um palmo a sua frente
E o dinheiro é que elege novos reis
Sobre os pés da brutal estupidez
Mais um pé de algaroba inocente.
Vem as leis naturais, o tsuname
E as leis imorais, desmatamentos
Enfrentar a força dos elementos
Faz o homem passar muito vexame
Ele próprio cultiva seu desmame
Mata mãe e irmãos, faz suas leis
Não percebe tamanha insensatez
E às vezes até se diz um crente
Cai um pé de algaroba inocente
Sobre os pés da brutal estupidez.
Assinar:
Postagens (Atom)